9.24.2006



É PRIMAVERA!


A primavera esta por toda parte aqui em Brasília. As arvores estão floridissimas no Eixo Monumental, a cidade fica linda assim, tão colorida. Fico me lembrando que as flores também são comestíveis. Algumas já se incorporaram no nosso dia a dia, como o brócolis e a couve flor, mas estou falando daquelas outras, as de pétalas delicadas que enfeitam nosso jardim.


Aqui no Brasil a gente não tem o hábito de comer essas flores. Eu particularmente fico com pena de comer, são tão bonitas... Me lembro que a primeira vez que experimentei o sabor de uma flor foi há uns vinte anos atrás, num restaurante que o pintor Luis Jasmim tinha lá na ilha de Itamaracá, em Pernambuco. Eram flores de abóbora, grandes e de um laranja estonteante, que ele fazia mais ou menos à milanesa. Não sei como era, ele nunca quis contar, mas elas ficavam crocantes, adocicadas e mantinham aquela cor – era como se a gente estivesse comendo pedacinhos de sol.


Hoje eu uso flores na cozinha, especialmente em saladas, de vez em quando, flores de capuchinha, de calêndula, de lavanda e até de rosas, mas não é sempre. Acho exótico, faço isso apenas para impressionar as visitas... Posso estar enganada, mas acho que as flores servem apenas para embelezar os pratos, não acrescentam nada ao sabor nem ao seu valor protéico. Estou bem interessada em me informar melhor sobre isso.


De qualquer maneira, quero lembrar de tres regrinhas para se usar flores na salada:


:: Escolher flores realmente comestíveis, cultivadas com essa finalidade, sem agrotóxicos. Algumas floriculturas e mercados especializados já vendem essas flores especiais.


:: Como as flores tem consistência delicada e sabor sutil, é preciso escolher bem os temperos e os acompanhamentos, para que seu gosto seja percebido. Para acompanhá-las é melhor usar folhas de sabor suave, como a alface, por exemplo. A rúcula tem muita personalidade, já não fica bem com flores. Quanto aos temperos, coisa simples: sal e azeite ou um vinagrete leve bastam.


:: Não se deve colocar o sal diretamente sobre as flores, assim como frituras ou ingredientes quentes, para que elas não fiquem murchas nem percam a cor. Assim não tem decoração que agüente.


AS FLORES CERTAS PARA CADA PRATO


Para carnes vermelhas – violetas, hortênsias, flores de menta e de tomilho.
Para carnes brancas – flores de sálvia e camomila.
Para massas – flor de abobrinha e de manjericão.
Para saladas – capuchinha, gerânio, cravo e pétalas de rosa.
Para sobremesas – pétalas de rosa e calêndula.


Aqui vai uma receita de sobremesa especial para a chegada da primavera...


GELEIA DE PÉTALAS DE ROSA


Ingredientes:


01 dúzia de rosas de qualquer cor (fica mais bonito com pétalas vermelhas)
250g de açúcar
½ copo de suco de maracujá
Essência de rosas (eu compro essa essência em casas de produtos naturais).



Modo de fazer:


Lave bem as pétalas de rosa e coloque numa panela com água – em quantidade que dê para cobrir as flores. Deixe cozinhar por mais ou menos uma hora. Quando estiverem macias, acrescente o açúcar e deixe ferver até engrossar. Adicione o suco de maracujá. Para verificar se a geléia está no ponto, levante a colher deixando a calda cair. Quando começar a descer em fios, está pronta. Acrescente algumas gotas de essência de rosas, deixe esfriar e pode se exibir pros amigos!

postado por BethS às 6:26 PM | comente aqui 12




9.20.2006



O MARAVILHOSO PERFUME DO AZEITE DE ERVAS


Essa cozinha está muito abandonada e por isso peço mil desculpas às pessoas que passaram por aqui e não me encontraram. Estou iniciando um processo de mudança, muitas coisas estão dentro de caixas, inclusive alguns livros e acessórios... E fico com a maior preguiça de desarrumar pra depois arrumar tudo de novo... Vocês entendem, não é?


Nesse momento, enquanto espero a reforma na outra cozinha, estou preparando presentes de natal diferentes pros parentes e amigos. Sim! não quero ir comprar as coisinhas de sempre, esse ano vou fazer eu mesma os presentes – e já comecei, pra ficar tudo relax. O que são esses presentes? Lindos vidros com azeites de ervas pros que gostam de cozinhar, ou pelo menos de comer bem. Não é legal? Vou dar a receita, quem sabe interessa a alguem?


Quem me ensinou foi uma tia que adora uma novidade. Tem quatro tipos, todos com uma base de azeite de oliva extra virgem e de acidez bem baixa – que é misturado com diferentes ervas. Todos precisam ser guardados em lugar seco e longe da luz por alguns meses antes de serem consumidos. Se faz assim:


AZEITE PARA PEIXES E FRUTOS DO MAR
01 colher de sopa de erva doce
01 colher de sopa de sementes de coentro
01 colher de chá de pimenta do reino em grãos
04 ramos de dill
02 ramos de tomilho
Casca de limão (só a parte verde)
02 xícaras de cha de azeite de oliva extra virgem.


Junte todos os ingredientes em uma garrafa de vidro bem seca. Feche bem. Em seguida coloque a garrafa em pé dentro de uma panela com água fervendo. Deixe no fogo baixo por 30 minutos. Espere esfriar e guarde em lugar protegido da luz. Coe quando utilizar para fritar, grelhar ou assar peixes e frutos do mar.



AZEITES PARA MASSAS E RISOTOS
01 colher de sopa de casca de limão siciliano ralada (só a parte amarela)
01 colher de chá de pimenta do reino em grãos
04 ramos de salsa
02 ramos de tomilho
02 xícaras de chá de azeite de oliva extra virgem.


Junte todos os ingredientes em um vidro limpo e seco. Feche bem. Em seguida coloque a garrafa em pé dentro de uma panela com água fervente e leve ao fogo por 30 minutos. Espere esfriar e guarde em lugar protegido da luz. Coe quando precisar utilizar.



AZEITE PARA AVES
01 ramo de erva cidreira
02 galhos de coentro
01 dente de alho
01 pedaço de 01 cm de gengibre fresco fatiado
02 xícaras de cha de azeite extra virgem.


Junte todos os ingredientes em uma garrafa limpa e seca. Feche bem. Coloque-a em pé dentro de uma panela com água fervente. Deixe em fogo baixo por 30minutos. Espere esfriar e guarde em lugar protegido da luz. Após sete dias, retire o alho com a ajuda de um espeto. Coe e use para temperar pratos feitos com aves.



AZEITE PARA TODOS OS DIAS
01 xícara de chá de manjericão
02 xícaras de azeite de oliva extra virgem.


Coloque o manjericão em água fervente por 10 minutos. Escorra e seque bem. Bata no liquidificador com uma xícara de azeite ate que as folhas se dissolvam. Use uma peneira fininha para coar. Em seguida junte o restante do azeite, coloque em um vidro limpo e feche bem. Conserve na geladeira. Esse azeite pode ser usado no que você quiser – peixes, frangos, legumes, saladas, massas, etc.


Já experimentei o azeite de peixes, uma delicia, fica bem temperado. E faz uma diferença enorme no sabor dos pratos. A gente compra lindos vidros em casas de bricolage, enfeita com uma tampa bonita, põe o azeite e guarda tranquilamente até o natal. Acho que é realmente um bom presente. Eu pelo menos adoraria ganhar...

postado por BethS às 11:25 PM | comente aqui 4




9.10.2006



AS DELÍCIAS DO TOFU


Faz tempo que não escrevo aqui. Estou trocando de casa, começando a encaixotar coisas, por isso a cozinha está sendo usada apenas o estritamente necessário. Alem do mais, estou com algumas restrições alimentares bem chatas – tenho de passar um período sem comer nada que contenha trigo, glúten, farinhas e carboidratos em geral. Não tinha me dado conta do quanto os carboidratos fazem parte da nossa alimentação. Desde o feijão com arroz, até pão, bolacha, biscoito, uma massinha, bolos, batatas e um monte de outras coisas.


Me viro bem com essa dieta, porque descobri que dá pra fazer um cardápio bem legal sem carboidratos, principalmente quando existe uma pequena biblioteca de livros de culinária na minha cozinha... Um monte de receitas basicamente vegetarianas, que eu adoro. É só arranjar um tempinho e folhear...


Vou mostrar o que comi hoje – uma delicia de almocinho vegetariano, saudável e bonito de se ver. Cheira bem, tem ótimo sabor e enche os olhos de tão colorido. A base é o Tofu, o queijo de soja, que compro num entreposto vegetariano de confiança – o que me dá a garantia de que a soja não é transgênica.


TOFU COM MOLHO DE GENGIBRE


Ingredientes (para 04 pessoas)

500g de tofu, com a consistência bem firme
1 ½ xícara de suco de laranja
03 colheres de sopa de shoyu (molho de soja)
02 colheres de sopa de gengibre fresco, ralado
02 cebolas médias, cortadas ao meio
03 colheres de sopa de azeite de qualidade
04 cenouras
01 maço de escarola, cortado em tiras finas.


Como fazer

Primeiro a gente escorre a água que vem na embalagem do tofu, depois seca cuidadosamente o queijo de soja com papel absorvente. O tofu fresco e saudável é branco e macio, a água tem a função de conserva-lo hidratado, mas não serve para comer. Depois de seco, o tofu deve ser cortado em fatias grossas, com uma faca amolada. Uso uma tábua de madeira e uma faca de lâmina grande, para que as fatias fiquem iguais – mas isso é porque sou uma maníaca por boa aparência da comida, não levem a sério.


Depois, em um recipiente de louça, misturo uma xícara do suco de laranja, o shoyu e o gengibre ralado – e nessa mistura colorida deixo as fatias do tofu e as quatro partes da cebola, para que peguem gosto. É uma espécie de marinada, onde eles devem ficar descansando por mais ou menos meia hora. Então, numa grelha anti aderente, coloco um pouco do azeite e douro o tofu e as cebolas, de um lado e de outro, tendo o cuidado de não deixar queimar.


Para acompanhar – cozinho as cenouras ate ficarem bem macias, passo no processador de alimentos e misturo a esse creme o que sobrou do suco de laranja. Provo o sal, é um purezinho leve e ligeiramente doce, mas sempre precisa corrigir o sal. Por ultimo pego a escarola cortada fininho (como a couve da feijoada) e dou uma passada rápida numa frigideira anti aderente, com o resto do azeite e um pouco de sal, até ela ficar com uma cor verde claro. Sempre se pode trocar a folha, mas gosto muito de escarola, porque ela é ligeiramente amarga e casa bem com os outros sabores do prato.O purê também pode ser feito com outro legume – usei a cenoura não só porque não é um carboidrato, como principalmente porque o prato fica lindo com a sua cor laranja escuro.


Ah, tinha morangos fresquinhos de sobremesa...

postado por BethS às 8:50 PM | comente aqui 6




8.16.2006



Pros dias secos e quentes



Adoro melão, mas não sei comprar nenhum melão que preste. É sempre muito difícil pra mim adivinhar quando a fruta está docinha e bem madura, elas vem fechadas! Já me disseram que quanto mais amarelo escura a casca, mais madura a fruta. Mas pra mim não funciona. Então é muito comum a gente aproveitar o melão em sucos porque não tem gosto. Ou porque não amadureceu o suficiente, ou porque não escolhi direito. Na verdade, simplesmente porque sou uma anta quadrada em matéria de melão.


Ontem foi um desses dias – abri o melão e ele estava macio, mas sem sabor. Eram dois: o de casca verde veio das margens do Rio S.Francisco, lá em Pernambuco e o de casca amarelinha é daqui mesmo de Brasília. Pois os dois estavam igualmente sem gosto. Cansados de tanto suco de melão, inventamos uma salada diferente com as frutas. Até que ficou bom, pros dias de calor seco de Brasília, foi um presentão. É assim:


Salada de Melão

Abra um melão grande maduro e retire as cascas delicadamente. Corte da forma que preferir. Pode ser em cubos, em tirinhas, em bolinhas... Preferi deixar em fatias. Ponha numa travessa e cubra com o seguinte:


Molho

Duas colheres de sopa de folhas de hortelã fresca picadas,
Uma colher de chá de açúcar,
Duas colheres de sopa de vinagre de fruta (tinha aqui de framboesa, mas pode ser de maçã),
Seis colheres de sopa de azeite de oliva extra virgem,
Sal, pimenta do reino, um pedaço pequeno de gengibre ralado.


Misture os ingredientes da maneira que achar melhor. Eu gosto de colocar tudo dentro de um vidro com tampa e sacudir bastante. O importante é eles fiquem bem unidos, como se tivessem nascido juntos. Deixe descansar por meia hora, pra pegar bem o sabor. Então despeje delicadamente sobre as fatias de melão. O sabor do molho fica bem agridoce, com o gengibre e a hortelã aparecendo lá atrás.


Sirva geladinho, enfeitado com folhinhas de hortelã. Nesse calor, é o que há!

postado por BethS às 7:11 PM | comente aqui 9




8.15.2006



Uma massinha de domingo



Esse fim de semana fomos na japonesa da Feira do Guará, que é o melhor lugar pra se comprar frutos do mar em Brasília. Coisa finíssima. Fomos lá bem cedinho, porque a carga de camarões, lagostas, ostras, polvos e família, vem de Florianópolis e não chega pra quem quer. É preciso se antecipar para poder escolher melhor.


Fomos atrás dos camarões, pois a minha nora mais velha queria nos preparar uma massa, para usar os muitos tomatinhos cereja que tiramos da mini horta que tenho no quintal. Ela não é muito de cozinhar, mas quando resolve brincar com as panelas, sai de baixo! Então, compramos o camarão e decidimos por um spaghettini tamanho 5, nem fino nem grosso, que segura melhor o sabor do molho. Éramos seis pessoas pro almoço e a receita dela ficou assim:


Ingredientes
- Dois pacotes de espaguete nº5, de grano duro (de boa marca, isso é fundamental)
- Um quilo de camarões grandes frescos, sem casca e sem cabeça
- 250g de tomates cereja bem maduros
- Três dentes de alho
- Metade de uma cebola, cortada bem picadinha
- Azeite extra virgem de excelente qualidade
- Sal, estragão fresco (pode ser outra erva, acho que camarão se dá bem com estragão)
- Um pedaço de bom queijo parmesão, para ser ralado na hora.


Como fazer:

Ponha no fogo uma panela com bastante água, uma porção de sal e de óleo. Precisa ser uma panela grande porque a massa deve cozinhar suavemente nessa água, sem ficar grudadinha, nem secar. Se você tem aquelas panelas especiais de cozinhar massa, melhor. Eu não tenho, por isso ela usou uma panela grande comum. Enquanto a água esquenta, preparou o molho.


É bom usar uma panela mais rasa e mais aberta, tipo uma frigideira daquelas fundas, pra dourar o alho e a cebola em azeite de oliva. Quando estiverem macios e quase transparentes, soltando um cheirinho gostoso, a gente coloca dentro o camarão e dá uma boa mexida pra ele pegar uma cor rosada por igual. Mesmo estando super fresquinho, é quase inevitável que o camarão solte liquido – coisa que me deixa aflita, achando que ele vai ficar com textura de esponja. Mas ela me ensinou um truque:


A gente deve recolher imediatamente numa xícara o caldinho que o camarão vai soltando na panela, porque vai usar depois. Em seguida acrescentar o sal e ver com alegria que, sem o liquido, o camarão pega gosto e continua macio. Ela picou o estragão e os tomate cereja cortados pela metade e com eles enfeitou os camarões, mexendo bem. O liquido do próprio camarão, que estava aguardando ansiosamente na xícara, entra em cena nesse momento para dar o toque final. E surgiu então na panela um molho forte e grosso, com uma aparência e perfume delicioso.


A massa a essa altura já estava cozida. Aí é só escorrer e colocar nos pratos (uma porção e meia para os normais e duas e meia pros mais famintos). O molho é disposto delicadamente sobre a massa e o parmesão ralado por cima.


Todo mundo gostou e a comilança foi muito boa. Alguém trouxe um bom vinho tinto, que combinou com a massa. E assim foi mais um domingo familiar na minha cozinha. Ainda bem que tenho uma rede me esperando na varanda...

postado por BethS às 4:56 PM | comente aqui 4




8.13.2006



São muitos abacates...






Outra sobra do fim de semana foram os abacates. A vizinha tem dois abacateiros saudáveis que estão bem carregados esse ano. Um dos galhos se pendura com gosto no meu muro e assim posso ter acesso aos suculentos frutos sem esforço algum. O fato é que esse fim de semana, mesmo distribuindo o excedente, acabei tambem não dando conta de tantos abacates. Como a preferencia familiar é pelo abacate com sal e não com açucar, comemos na salada, cortado em cubinhos, ao lado de tomates, folhas e pepinos.


Com a sobra, fizemos guacamole, prato típico da cozinha mexicana, numa autentica adaptação brasiliense:


Ingredientes:
02 abacates médios e bem maduros
Suco de um limão (pode ser o havaí)
01 dente de alho, descascado e picado miudinho
01 xícara de folhinhas de manjericão cortada miudinho
1/4 de xícara de cebolinha verde bem picadinha


Preparo
Numa tigela média, mexa o suco de limão, o sal e o alho. Corte os abacates no sentido do comprimento e tire a pele e a semente. Amasse a polpa com um garfo e misture ao suco de limão. Em seguida, coloque na tigela a cebolinha e o manjericão cortadinhos e misture com delicadeza. É só isso.


Servimos como entrada, acompanhado de torradas de pão ciabata e verduras e legumes crus, como cenoura, aipo e funcho. É bom demais.

Uma dica: sirva o guacamole logo depois de pronto, para evitar que o abacate escureça e fique ligeiramente amargo. Se não for possivel, conserve o prato na geladeira junto com o caroço do abacate, depois de lavado e bem seco. Ele ajuda a manter o guacamole bem fresquinho.



Sei que essa não é a receita original de guacamole, mas como ja disse a gente aqui gosta de inventar. Por isso substituí o coentro pelo manjericão e a cebolinha no lugar da cebola picada. O autentico guacamole mexicano tem tomates entre os ingredientes, mas preferi não usar. Garanto que ficou bom do mesmo jeito.

postado por BethS às 12:42 AM | comente aqui 1







Chiquita Bacana


Meu filho diz pra mim: você deve estar ficando maluca pra criar um blog de comida. Nem é chef nem nada! É verdade, é verdade. Acho que escrevo aqui muito mais pra organizar as minhas idéias sobre comida do que qualquer outra coisa. Gosto muito de cozinhar, aquela cozinha caseira, que usa os ingredientes que estão à mão, na geladeira ou na despensa. E sigo à risca a norma principal da casa: não se joga comida fora.


Lavoisier ficaria feliz na minha cozinha: aqui nada se perde, tudo se transforma. Assim foi com as bananas que recebemos de uma querida amiga. Quatro palmas de bananas prata, sem agrotóxicos, plantadas com todo o amor e carinho. Durante a semana comemos bananas ao natural, grelhadas com sorvete, na salada de frutas, picadinhas com granola... Mas convenhamos que era muita banana. O fato é que muitas amadureceram rapidamente, a casca logo ficou cheia de grande manchas pretas, o cheiro doce inundando a cozinha. Mais um dia e elas ficariam fora do prazo de validade.


Na experimentação pra não jogar as bananas no lixo, criamos um doce maravilhoso, de textura macia e cheiro de flor. Não usamos açúcar – não só porque estava em falta na casa (aliás, sempre está) como principalmente porque as bananas muito maduras são duas ou três vezes mais doces que as normais.


A receita é fácil de fazer e já entrou pro nosso cardápio:
Descascamos as bananas, cortamos em rodelinhas grossas e colocamos numa panela com uma colher de chá de missô diluída em um copo de água. (O missô é uma pasta salgada de soja, muito usada na culinária japonesa e também na macrobiótica. É gênero de primeira necessidade aqui em casa).


Deixamos cozinhar por mais ou menos meia hora, até as bananas ficarem macias e com uma cor marrom dourada. No início do cozimento coloquei baunilha – não o extrato que vem no vidrinho, mas aquela pasta preta e cheirosa que está dentro do favo, quando você o abre com uma faquinha amolada. O missô reforçou a doçura e a baunilha ajudou a dar um aroma especial ao doce de banana.


Você pode substitui a baunilha por um pauzinho de canela, um dente de cravo da India ou um anis estrelado. Ou não colocar nada – essas especiarias são apenas maquiagem. O doce de banana é gostoso por si só. Se você quiser que o doce seja cremoso, passe a mistura (depois de fria) no liquidificador. Gosto mais com os pedacinhos inteiros.

postado por BethS às 12:36 AM | comente aqui 3







Essa cozinha também é sua!


A cozinha daqui de casa é grande, cheia de prateleiras e com tudo ao alcance dos olhos e das mãos. Tem uma pequena biblioteca, uma jardineira com ervas fresquinhas aparafusada na janela acima da pia, uma coleção de facas cuidadosamente amoladas e uma mesa grande - em torno dela nos reunimos para conversar, bebericar um chazinho e muitas vezes experimentar uma nova receita.


É um cômodo simples, sem nada de extraordinário, mas é o mais aconchegante lugar da casa. Se você entrar na minha cozinha vai ter a medida exata do que significa cozinhar na minha familia. Para nós, cozinhar é experimentar, alimentar e criar oportunidades de união e alegria entre todos. Aqui todo mundo mete a mão na massa, até as crianças. As comidas as vezes dão certo, outras não. Mas todas são curtidas.


Quero convidar vocês pra participarem da minha cozinha. Aqui tudo é possivel, fiquem à vontade. E sejam muito benvindos!

postado por BethS às 12:32 AM | comente aqui 5







Aqui nessa cozinha tem alquimias, segredos, aromas, invenções variadas e muita diversão. Puxe uma cadeira, fique à vontade...

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